Câmara aprova alteração do zoneamento
Diário Oficial de Santos - 21/04/2001

O projeto de lei complementar proposto pelo Executivo, para alteração de dispositivos da legislação que dispõe sobre a criação de Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) – áreas destinadas a empreendimentos de habitação de interesse social -, foi aprovado em segunda e última discussão, pela Câmara Municipal, na sessão da última quinta-feira. Com a propositura, a Administração buscou atualizar a Lei Complementar nº 53, de 15 de maio de 1992 (discorre sobre as Zeis), frente às novas leis urbanísticas – Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo - em vigor no Município.

A matéria aprovada facilita a criação de Zeis 2 (faixas de vazios urbanos passíveis de ocupação), na medida que altera o limite mínimo de áreas dos vazios urbanos - de 500 m² para 1 mil m² – e elimina a restrição às áreas onde não era permitida a construção para fins habitacionais. Dessa forma, possibilita a implementação de projetos habitacionais de cooperativas.

O projeto, que será agora sancionado pelo prefeito Beto Mansur, permitirá a edificação de empreendimentos habitacionais em áreas antes grafadas no zoneamento como de uso portuário, que passam a ser Zonas Especiais de Interesse Social. Viabilizará, assim, a construção do conjunto residencial pela Cooperativa Habitacional dos Funcionários Públicos, em área doada pelo Município, com financiamento pela Caixa Econômica Federal (CEF).




Vereadores aprovam projeto complementar sobre Zeis
A Tribuna - 20/04/2001

da Reportagem


A Câmara aprovou, ontem, em segunda e última votação, o projeto complementar do Executivo, alterando dispositivos da Lei 53/92, que trata da criação de Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). A aprovação vai possibilitar a construção do conjunto habitacional para funcionários públicos municipais numa área de 21.728 metros quadrados, no Jardim São Manoel.

A liberação do financiamento de R$ 15 milhões da Caixa Econômica Federal, com recursos do FGTS para a construção do Conjunto Habitacional dos Funcionários Públicos Municipais, ainda não está garantida.

De acordo com o gerente de Mercado da Caixa, Waldir Monti, já houve sondagem para os estudos do projeto, mas nenhuma iniciativa oficial foi tomada até agora.

Segundo Monti, a liberação do dinheiro só será possível depois que a Caixa analisar o projeto a ser realizado, mas como neste caso a construção dependia da transformação do terreno em Zeis, o processo de financiamento não pôde ser iniciado.

A Caixa vai liberar para o projeto uma linha de financiamento associativo. Para emprestar o dinheiro, o banco antes deve aprovar o empreendimento e a empresa que ficará responsável pela construção. A Caixa também realiza a análise jurídica da área e verifica a documentação junto aos órgãos públicos competetentes.

Individual - O crédito do empreendimento, no total de R$ 15 milhões, é liberado de forma individualizada. Para isso, a Caixa tem de aprovar o nome dos compradores de cada unidade habitacional.

No crédito associativo, é necessário que os compradores dos apartamentos não sejam proprietários de outros imóveis na região e que a unidade esteja sendo adquirida para moradia própria. O financiamento também deve seguir as regras do FGTS e o comprador deve ter uma renda familiar máxima de 20 salários mínimos (R$ 3 mil 600).

Inscrições - A Cooperativa Habitacional dos Funcionários Públicos Municipais está com inscrições abertas para os servidores que tiverem interesse em adquirir uma apartamento no conjunto do Jardim São Manoel.

Para se inscrever, é preciso ir à sede da cooperativa (Rua do Comércio, 55, 5º andar, sala 1) e pagar uma taxa de R$ 120,00, que irá para um fundo de poupança do próprio servidor.




Habitação popular beneficiará funcionalismo
A Tribuna - 19/04/2001

Moradia
da Reportagem
Marcel Cordella


A Cooperativa Habitacional dos Funcionário Públicos Municipais vai construir um conjunto habitacional com 576 apartamentos no Jardim São Manoel, na margem direita da Via Anchieta. O início da construção está previsto para o mês de julho.

A realização do projeto só será possível após a segunda votação do projeto de Lei Complementar do Executivo que dispõe sobre a criação de Zonas Especias de Interesse Social (Zeis), marcada para a sessão de hoje da Câmara (veja matéria) e posterior assinatura do prefeito Beto Mansur.

A área onde o conjunto habitacional será construído tem 21.728 metros quadrados e pertence à cooperativa há mais de 10 anos. O projeto será financiado com recursos liberados pela Caixa Econômica Federal, em valor total de cerca de R$ 15 milhões.

A proposta é erguer 18 prédios de sete andares, cada um com 32 apartamentos, com quatro unidades por andar a partir do térreo. Os apartamantos terão dois quartos e cerca de 50 metros quadrados.

Os cooperados que comprarem as unidades terão 25 anos para pagar, com prestações mensais de aproximadamente R$ 290,00. O presidente da cooperativa, João Ferreira, comemorou a chance de concretizar o projeto, que existe desde 1998.

‘‘É uma grande vitória para o servidor público’’. disse. ‘‘Ter uma casa é o início do direito à cidadania’’. A cooperativa é formada hoje por 358 membros, mas novas inscrições serão abertas para completar interessados nas unidades a serem construídas.

Colaboração - Segundo Ferreira, os contatos com a Prefeitura e com a Caixa Econômica Federal foram intermediados pelo vereador Paulo Barbosa (PPB). ‘‘Eu ajudei a conseguir a liberação do financiamento’’, disse o vereador. ‘‘O prefeito Beto Mansur também abraçou a causa e deu muita força’’.

Barbosa também adiantou que o projeto de criação de Zonas Especiais, fundamental para a realização do conjunto habitacional, deverá ser aprovado hoje sem problemas. ‘‘Só falta aprovar as Zeis, apresentar a documentação na Caixa e aprovar as plantas dos prédios na Secretaria Municipal de Obras’’.

Mais casas - A Cooperativa Habitacional dos Funcionários Públicos Municipais tem mais dois projetos prontos para serem realizados. O primeiro, para construção de 60 casas, fica no Chico de Paula e o outro, de 320 imóveis, está localizado na Vila Santa Casa, mas ainda depende da transferência da área que hoje pertence à Prefeitura para a cooperativa. ‘‘Neste serão 215 imóveis para cooperados e 105 para os moradores do local’’, completou Ferreira.




Márcio Lopes de Freitas assume a OCB
SP Notícias Coop - 18/04/2001

Ontem, dia 17 de abril, em Assembléia Geral Ordinária Márcio Lopes de Freitas foi eleito presidente da OCB - Organização das Cooperativas Brasileiras para a gestão 2001-2004. A eleição foi concluída por aclamação unânime de chapa única. Alfeu Silva Mendes (MG) é o primeiro-vice-presidente e Jânio Vital Stefanello (RS), o segundo-vice. Márcio esteve na diretoria da Ocesp desde 1996, quando atuou como vice-presidente. Assumiu a presidência da organização em julho de 1997, substituindo Carlos Coelho Neto. Sua trajetória na Ocesp sempre foi marcada pela transparência e incentivo à prestação de serviços técnicos às cooperativas, o que elevou o conceito da organização no meio, culminando, em 1999, com a confirmação de seu nome para a presidência da atual gestão. Filho de Patrocínio Paulista-SP, Márcio é cafeicultor com orgulho. Entre 1994 e 1998 foi presidente da Cocapec - Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas, de Franca, e desde 1994 dirige a Credicocapec, cooperativa de crédito rural.

DIRETORIA OCB (2001-2004)
Presidente - Márcio Lopes de Freitas (SP)
1º Vice - Alfeu Silva Mendes (MG)
2º Vice - Jânio Vital Stefanello (RS)

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Adalva Alves Monteiro (MA) - Região Nordeste
Alfeu Silva Mendes (MG) - Região Sudeste
Luiz Hilton Temp (SC) - Região Sul
Roberto Marazi (DF) - Região Centro-Oeste
Silvio Silvestre de Carvalho (RR) - Região Norte

CONSELHO FISCAL
Benjamim de Freitas Pinheiro (SP)
Agostinho dos Santos (PB)
Vicente Joaquim Bogo (RS)
Suplentes
Carlos Fabiano Braga (MG)
Ruiter Luiz Andrade de Pádua (TO)
Antonio Chavaglia (GO)

CONSELHO DE ÉTICA
Erivaldo de Jesus Araújo (PA)
Lajose Alves Godinho (GO)
Santo Antonio Dezordi (RS)
Suplentes
Onofre Cezário de Souza Filho (MT)
Malaquias Ancelmo de Oliveira (PE)
Guntolf Van Kaick (PR)

REPRESENTANTES DOS RAMOS
Agropecuário - Luiz Roberto Baggio (PR)
Consumo - Antonio José Monte (SP)
Crédito - Geraldo Magela Antunes do Couto (MG)
Educacional - Maria Cristina C. Pompermayer (SP)
Especial - Paulo Roberto Ferronato (SC)
Habitacional - Manoel Messias Gomes da Cruz (SP)
Infra-Estrutura - Jânio Vital Stefanello (RS)
Mineral - Jayme Vicente Valadares (MT)
Produção - Francisco José Rego Magalhães (PA)
Saúde - Eudes de Freitas Aquino (MT)
Trabalho - Rozani Holler (BA)
Turismo e Lazer - Suzana Dalet (DF)




Habitação é saída para a crise do comércio
A Tribuna - 15/04/2001

Da Reportagem

Não são só as vantagens sociais que importam quando se fala de projetos habitacionais na zona central. ''Com a construção de prédios voltados à população de baixa e média renda, teríamos uma população que ativaria a economia do bairro'', acredita José Kauffmann Neto, vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista e da Associação Centro Vivo. ''É uma das saídas para o comércio''.

Kauffmann fala com conhecimento de causa. Liderança no setor, ele viu nos últimos anos mais de 200 lojas do Centro fecharem.

Desde as privatizações do Porto e da Cosipa, o comércio do bairro vem sofrendo com a queda do poder aquisitivo da Cidade causado pelas demissões nos ramos portuário e industrial. É um saldo que hoje pode ser observado pelas portas fechadas em ruas como Amador Bueno e General Câmara.

Um levantamento realizado pelo vereador Paulo Barbosa (PPB) com base no registro dos pedidos de abertura e encerramento de atividades da Secretaria de Finanças ajuda a compreender o quadro.

''Em 1997, a Prefeitura registrou 235 aberturas e apenas um encerramento de atividades no comércio de vestuário. No ano passado, as aberturas caíram para 106 e houve 44 encerramentos'', diz o documento de Barbosa, exibido no mês passado numa audiência da Câmara.

Além do fechamento, o comércio passou por uma mudança de perfil. Saíram de cena algumas lojas tradicionais e de artigos de qualidade. No lugar delas, abriu-se estabelecimentos voltados a públicos de baixa renda, como lojas de R$ 1,99.

Na visão de Kauffmann, para preservar o que sobrou do comércio, o Poder Público tinha que adotar incentivos fiscais para a construção de habitações. Uma das idéias de Kauffmann: o Poder Público poderia desapropriar terrenos para que o preço de compra das construtoras e de projetos habitacionais ficasse num ''patamar justo e livre dos especuladores''.

''Poderíamos ter leis de incentivo para a redução da taxa de licença de construção'', opina José Marcelo Ferreira Marques, presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob).

Alguns incentivos já existem. A Lei de Uso e Ocupação do Solo (Lei Complementar 312/98), aprovada em 1998, permitiu a construção de prédios maiores nos bairros da Vila Nova e Paquetá. ''Ocupar esses bairros é uma diretriz de planejamento urbano e, acredito, o futuro daquela região'', afirma o vice-prefeito e secretário de Planejamento de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), um dos elaboradores da lei.

Os bairros da Zona Central também são vistos como um meio mais fácil de expansão econômica. ''Lá, temos infra-estrutura consolidada (água, serviços telefônico e energia)'', analisa o construtor Omar Laino, ex-presidente da Assecob e o primeiro a defender (há 15 anos) o uso imobiliário do Centro. ''É mais fácil a Cidade crescer pelo Centro do que via Área Continental, onde não há infra''.




Revitalização começa pelo resgate social
A Tribuna - 15/04/2001

A volta à origem esquecida é talvez o mais portentoso desafio sócio-econômico que se impõe a Santos nos primeiros anos do século 21. E a origem tem o genérico nome de área central — um conjunto de quatro bairros (mais o Porto) onde há 455 anos teve início a edificação e ocupação urbana da atual Cidade. Vítima do esvaziamento econômico da última década, o Centro figura como o principal gargalo social santista. São pelo menos 5.200 pessoas vivendo em cortiços em índices de condições de vida mais miseráveis até do que os encontrados nas favelas da Zona Noroeste. Problema que começa a ser enfrentado com projetos públicos e pela sociedade civil.

Lucas Tavares

É quase unânime entre os especialistas. Se há solução eficiente para os problemas habitacionas e sociais representados pelos cortiços do Centro, Paquetá e Vila Nova, ela é representada pela construção de conjuntos habitacionais voltados às classes média e de baixa renda. Ou seja, pelo incentivo a uma nova onda migratória de volta da população ao Centro.

Até a metade do século passado, os bairros da área central eram o habitat da elite política e econômica de Santos. Com a queda da economia cafeeira nos anos 20 e 30 e a adoção de incentivos à ocupação urbana dos bairros próximos da orla, a região foi esvaziada e a Cidade virou-se para a praia.

Os casarões de porões altos e muitos quartos foram divididos por famílias carentes e prostitutas da zona de meretrício, dando origem à figura dos cortiços. Hoje, segundo os dados mais recentes, 142 imóveis servem como habitações coletivas.

A tese dos que defendem a volta ao Centro é simples e embasada com argumentos que abrangem as possíveis vantagens econômicas e sociais de uma reocupação. O ponto forte é a questão social. Uma vez preenchidos por edifícios de construtoras privadas e projetos habitacionais públicos, os bairros hoje degradados ganhariam qualidade estética e de vida.

Um projeto da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) da Secretaria Estadual de Habitação tem exatamente o objetivo acima: retirar os moradores de cortiços e colocá-los em prédios habitáveis.

Inicialmente, o projeto atenderá 110 das 1.300 famílias encortiçadas de Santos. ‘‘As obras devem começar entre março e abril do ano que vem’’, informa Luiz Antônio Pacheco, presidente da CDHU.

Na últimas décadas, a Zona Central acumulou os mais drásticos indicadores sociais santistas. A mortalidade infantil é pior que a média estadual e, por viverem em condições precárias de salubridade encontrada nos cortiços, os habitantes do Centro são os mais atingidos por doenças como tuberculose e Aids (ver quadro).

‘‘O resgate social do centro passa, sem dúvida, pela ocupação do bairro, com projetos de reurbanização e habitação’’, opina Marly Carvalho de Soares, chefe do Departamento de Ação Comunitária da Secretaria de Ação Comunitária de Santos.

Qualitativamente, o problema dos cortiços é muito pior do que o das favelas (ler matéria), diz Marly. ‘‘É a nossa maior demanda. Das 15.784 pessoas da Cidade que atendemos no ano passado, 43% são de pessoas do Centro e de cortiços’’.




São Paulo ganha Frente Parlamentar do Cooperativismo
SP Notícias Coop - 22/03/2001

O Plenário Franco Montoro, na Assembléia Legislativa de SP, ficou pequeno para a presença cooperativista no dia 13 de março. Mais de 250 pessoas, ligadas a cooperativas de todo o Estado de São Paulo e até de outros Estados, ouviram o deputado Milton Flávio (PSDB), líder do governo na Assembléia, anunciar a criação da Frente Parlamentar do Cooperativismo Paulista. “Organizar a Frente para representar 1.200 cooperativas e mais de 2 milhões de cooperados é um grande desafio e o ânimo de que eu estava precisando após a perda do amigo e governador Mário Covas”, disse o deputado.

Na abertura da solenidade, o então presidente da Assembléia, deputado Vanderlei Macris (PSDB), referiu-se ao cooperativismo como instrumento para solucionar vários problemas da sociedade. “É um potencial subaproveitado no País”, frisou ele. O deputado estadual Roberto Gouveia (PT), autor de duas leis de habitação que promovem o cooperativismo, afirmou que já faz parte da Frente antes mesmo de ser criada. “Tenho convicção de que nenhum governo resolve sozinho os problemas sociais”, comentou, reforçando a importância da parceria com o cooperativismo. Representando o governador Geraldo Alckmin Filho, o Secretário Chefe da Casa Civil, João Carlos Caramez, lembrou a presença marcante do cooperativismo em países desenvolvidos. “Na Dinamarca, 70% da população é cooperativista”, ressaltou.

Pacto pelo cooperativismo - Como coordenador da Frente Parlamentar do Cooperativismo, Milton Flávio revelou que estava com receio de realizar o evento a dois dias da eleição da diretoria da assembléia. “Insisti porque a criação da Frente era a melhor homenagem que poderia fazer a essa diretoria”, disse o deputado. Milton lembrou os problemas que as cooperativas de trabalho vem passando. “Muitos bancos se envolveram em escândalos, e ainda estão aí..., agora basta uma cooperativa cometer deslize que vira esse inferno”, exclamou o líder do governo. Para Milton Flávio, o modelo atual das relações de trabalho está exaurido. O deputado agendou reunião com o Executivo estadual para dia 26 de março, quando pretende formalizar um pacto entre o Legislativo, o Executivo e a Ocesp pela qualidade do cooperativismo paulista.

Cofre do Capital Social - Ao falar sobre o ‘Cooperativismo no Mundo’, Roberto Rodrigues, presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), enalteceu o Legislativo Paulista. “Fico contente de saber que os governos mais maduros estão percebendo que cooperativismo quer dizer sociedade democrática; a criação desta Frente indica maturidade”, salientou Roberto. E concluiu: “as cooperativas são o cofre do capital social”.

30 milhões de cooperativistas - Dejandir Dalpasquale, presidente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), disse que com iniciativas como o Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo) e o Programa Cooperjovem - que promove o ensino do cooperativismo em escolas de primeiro e segundo graus – a intenção é alcançar 30 milhões de cooperativistas no País. “Hoje não somos nem 5%, enquanto nos países mais adiantados o cooperativismo atinge 40% da população”, disse Dejandir. Sobre a Frente Parlamentar, o presidente da OCB afirmou que o cooperativismo sempre quis ser parceiro do governo. “Queremos eleger parlamentares que defendam os princípios cooperativistas”, salientou.

Legislação mais adequada - O deputado federal Xico Graziano (PSDB), coordenador da Frencoop Nacional, sucedeu a fala de Dejandir afirmando que o cooperativismo brasileiro precisa de legislação mais adequada. “Há projetos de lei sobre cooperativismo que tramitam há mais de 11 anos no Congresso”, revelou ele, informando que o anteprojeto da nova lei cooperativista, de autoria do senador Osmar Dias, deve ficar pronto ainda este mês. Referindo-se às falsas cooperativas, Xico usou o termo ‘fantasma’ do cooperativismo. “Esse problema vai dimimuir sensivelmente quando forem obrigatórios o registro e a certificação das cooperativas pela Ocesp”, afirmou o deputado federal.

Dois pinheirinhos - O presidente da Ocesp, Márcio Lopes de Freitas, pediu aos cooperativistas e aos parlamentares que levem a outros Estados o formato da Frente Parlamentar do Cooperativismo. “Cada um de nós deve ajudar a regar esses dois pinheirinhos que estamos plantando hoje”, disse Márcio, ressaltando o espírito de solidariedade, próprio do cooperativismo. Ao citar o crescimento do cooperativismo urbano, o presidente da Ocesp pediu especial atenção da Frente aos problemas que as cooperativas de trabalho estão enfrentando. “Não sei se falta apoio do governo ou se falta conhecimento sobre o cooperativismo”, disse Márcio, comprometendo-se a levar a filosofia cooperativista aos parlamentares.

Inerente ao ser humano - O secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Walter Barelli, mencionou o pensador Charles Gide: "o cooperativismo está nas entranhas do povo e não no cérebro de qualquer sábio ou reformulador social". Barelli enfatizou que ser social faz parte de nosso caráter. Ele sugere, no entanto, que "separem o joio do trigo", referindo-se às cooperativas fajutas. Quanto à Frencoop-SP, o secretário elogiou a iniciativa dizendo que nasce com boas intenções e identificada com programas de governo. Barelli salientou que nos planos de geração de trabalho e renda do governo de SP constam incentivos a frentes de trabalho, a cooperativas e ao banco do povo. Frisou ainda que o governador Geraldo Alckmin é cooperativista convicto, tendo participado inclusive de artigos sobre o cooperativismo na Constituição de 1988




Câmara
A Tribuna / coluna Dia a Dia - 20/03/2001

Espera-se que a Câmara não demore para votar - e aprovar - o projeto que altera a zona especial de interesse social, que permitirá à Cooperativa Habitacional dos Servidores Públicos Municipais iniciar a construção de 400 apartamentos no Jardim São Manoel.




CDHU abre inscrições ao Projeto Sonho Meu
A Tribuna - 20/03/2001

Itanhaém
Da Reportagem

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) abrirá inscrições para o Projeto Sonho Meu, do Governo do Estado, que permite a compra de apartamentos populares. Segundo a informação, divulgada pela Prefeitura, as inscrições serão recebidas nas duas primeiras semanas de abril, na sede da Associação Comercial, situada na Avenida Presidente Vargas, 757, no Centro, das 9h30 às 18 horas.

Ao todo, serão oferecidos 208 apartamentos construídos em áreas remanescentes do Conjunto Habitacional Guapiranga, com com aproximadamente 52 m2 cada um. Cada unidade terá dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro.

O Programa se destina a famílias com renda de um a 10 salários mínimos (de R$ 151,00 a R$ 1.510,00). O prazo de financiamento é de 25 anos. As exigências são as seguintes: a família deve comprovar residência em Itanhaém nos últimos três anos, ou comprovar que o chefe trabalha no Município pelo mesmo período; não possuir imóvel (casa, apartamento ou terreno); não estar pagando financiamento de imóvel em qualquer cidade brasileira.

São documentos obrigatórios: cédula de identidade; CPF e carteira de trabalho do chefe da família e do cônjuge e endereço completo da moradia atual. As famílias já cadastradas pela CDHU na Cidade e não contempladas no último sorteio, deverão comparecer para atualizar os dados. O não-comparecimento será considerado desistência.

Idosos — O Programa de Atendimento ao Idoso vai destinar 10 apartamentos a pessoas com 60 anos de idade ou mais. Os requisitos são: renda mensal de um a cinco salários mínimos (de R$ 151,00 a R$ 755,00) e comprovar residência no Município há pelo menos três anos. O idoso não pode possuir imóvel próprio ou outro financiamento habitacional.

O sorteio público, ainda sem data definida, será feito em duas etapas. Primeiramente, serão sorteados os 10 apartamentos destinados aos idosos. Na segunda etapa, serão sorteados os demais candidatos habilitados.

Mais informações no setor de Habitação da Prefeitura, pelos telefones 3421-1600 (ramal 275) e 3421-1674. Também na Associação Comercial de Itanhaém, pelo telefone 3426-1210.




Moradia leva 31% do salário brasileiro
Congresso Nacional On Line - 15/03/2001

O salto, na segunda metade da década de 90, nos preços dos aluguéis e de tarifas de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica fizeram os gastos com habitação superarem as despesas com alimentação no orçamento das famílias brasileiras. Atualmente, 31% do rendimento familiar é destinado ao custeio de moradia. Outros 25% vão para alimentação, como demonstra a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Até o período de 1993/94, a maior despesa das famílias brasileiras era com alimentação (30%), seguido de habitação (25%). "De agosto de 94 a dezembro do ano passado, os aluguéis subiram cerca de 300% e a energia elétrica, 180%", explica o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Melo Cota. "Os preços dos alimentos também subiram, só que menos, em torno de 60%, o que explica a inversão dos pesos", diz.

Comprometida

Somando-se as despesas com transporte (14%) aos gastos com moradia e alimentação, chega-se ao comprometimento de 70% da renda do trabalhador brasileiro.

Usada como base para o acompanhamento de preços no cálculo da inflação, a POF da FGV pela primeira vez foi estendida a um conjunto de 12 Estados. Antes, a pesquisa coletava dados apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agora, inclui Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife e Salvador. O levantamento foi feito somente nas capitais, ao contrário de pesquisa semelhante do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que abrange os municípios das regiões metropolitanas em torno de cada capital.

Isto explica o fato de Brasília ter sido, de longe, a capital com a maior renda familiar: 24 salários mínimos, ou seja R$ 3,6 mil. No Distrito Federal foram registrados questionários de 739 famílias, mas apenas no Plano Piloto onde residem famílias de classe média, essencialmente de funcionários públicos e profissionais liberais. As cidades-satélites, na periferia de Brasília, não fizeram parte da pesquisa. Também não são coletados dados nas favelas e morros do Rio e de São Paulo. "Já tivemos condições de subir morro, mas desde 87 este trabalho não é mais possível", comenta Cota.