São Paulo ganha Frente Parlamentar do Cooperativismo
SP Notícias Coop - 22/03/2001
O Plenário Franco Montoro, na Assembléia Legislativa de SP, ficou pequeno para a presença cooperativista no dia 13 de março. Mais de 250 pessoas, ligadas a cooperativas de todo o Estado de São Paulo e até de outros Estados, ouviram o deputado Milton Flávio (PSDB), líder do governo na Assembléia, anunciar a criação da Frente Parlamentar do Cooperativismo Paulista. “Organizar a Frente para representar 1.200 cooperativas e mais de 2 milhões de cooperados é um grande desafio e o ânimo de que eu estava precisando após a perda do amigo e governador Mário Covas”, disse o deputado.
Na abertura da solenidade, o então presidente da Assembléia, deputado Vanderlei Macris (PSDB), referiu-se ao cooperativismo como instrumento para solucionar vários problemas da sociedade. “É um potencial subaproveitado no País”, frisou ele. O deputado estadual Roberto Gouveia (PT), autor de duas leis de habitação que promovem o cooperativismo, afirmou que já faz parte da Frente antes mesmo de ser criada. “Tenho convicção de que nenhum governo resolve sozinho os problemas sociais”, comentou, reforçando a importância da parceria com o cooperativismo. Representando o governador Geraldo Alckmin Filho, o Secretário Chefe da Casa Civil, João Carlos Caramez, lembrou a presença marcante do cooperativismo em países desenvolvidos. “Na Dinamarca, 70% da população é cooperativista”, ressaltou.
Pacto pelo cooperativismo - Como coordenador da Frente Parlamentar do Cooperativismo, Milton Flávio revelou que estava com receio de realizar o evento a dois dias da eleição da diretoria da assembléia. “Insisti porque a criação da Frente era a melhor homenagem que poderia fazer a essa diretoria”, disse o deputado. Milton lembrou os problemas que as cooperativas de trabalho vem passando. “Muitos bancos se envolveram em escândalos, e ainda estão aí..., agora basta uma cooperativa cometer deslize que vira esse inferno”, exclamou o líder do governo. Para Milton Flávio, o modelo atual das relações de trabalho está exaurido. O deputado agendou reunião com o Executivo estadual para dia 26 de março, quando pretende formalizar um pacto entre o Legislativo, o Executivo e a Ocesp pela qualidade do cooperativismo paulista.
Cofre do Capital Social - Ao falar sobre o ‘Cooperativismo no Mundo’, Roberto Rodrigues, presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), enalteceu o Legislativo Paulista. “Fico contente de saber que os governos mais maduros estão percebendo que cooperativismo quer dizer sociedade democrática; a criação desta Frente indica maturidade”, salientou Roberto. E concluiu: “as cooperativas são o cofre do capital social”.
30 milhões de cooperativistas - Dejandir Dalpasquale, presidente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), disse que com iniciativas como o Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo) e o Programa Cooperjovem - que promove o ensino do cooperativismo em escolas de primeiro e segundo graus – a intenção é alcançar 30 milhões de cooperativistas no País. “Hoje não somos nem 5%, enquanto nos países mais adiantados o cooperativismo atinge 40% da população”, disse Dejandir. Sobre a Frente Parlamentar, o presidente da OCB afirmou que o cooperativismo sempre quis ser parceiro do governo. “Queremos eleger parlamentares que defendam os princípios cooperativistas”, salientou.
Legislação mais adequada - O deputado federal Xico Graziano (PSDB), coordenador da Frencoop Nacional, sucedeu a fala de Dejandir afirmando que o cooperativismo brasileiro precisa de legislação mais adequada. “Há projetos de lei sobre cooperativismo que tramitam há mais de 11 anos no Congresso”, revelou ele, informando que o anteprojeto da nova lei cooperativista, de autoria do senador Osmar Dias, deve ficar pronto ainda este mês. Referindo-se às falsas cooperativas, Xico usou o termo ‘fantasma’ do cooperativismo. “Esse problema vai dimimuir sensivelmente quando forem obrigatórios o registro e a certificação das cooperativas pela Ocesp”, afirmou o deputado federal.
Dois pinheirinhos - O presidente da Ocesp, Márcio Lopes de Freitas, pediu aos cooperativistas e aos parlamentares que levem a outros Estados o formato da Frente Parlamentar do Cooperativismo. “Cada um de nós deve ajudar a regar esses dois pinheirinhos que estamos plantando hoje”, disse Márcio, ressaltando o espírito de solidariedade, próprio do cooperativismo. Ao citar o crescimento do cooperativismo urbano, o presidente da Ocesp pediu especial atenção da Frente aos problemas que as cooperativas de trabalho estão enfrentando. “Não sei se falta apoio do governo ou se falta conhecimento sobre o cooperativismo”, disse Márcio, comprometendo-se a levar a filosofia cooperativista aos parlamentares.
Inerente ao ser humano - O secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Walter Barelli, mencionou o pensador Charles Gide: "o cooperativismo está nas entranhas do povo e não no cérebro de qualquer sábio ou reformulador social". Barelli enfatizou que ser social faz parte de nosso caráter. Ele sugere, no entanto, que "separem o joio do trigo", referindo-se às cooperativas fajutas. Quanto à Frencoop-SP, o secretário elogiou a iniciativa dizendo que nasce com boas intenções e identificada com programas de governo. Barelli salientou que nos planos de geração de trabalho e renda do governo de SP constam incentivos a frentes de trabalho, a cooperativas e ao banco do povo. Frisou ainda que o governador Geraldo Alckmin é cooperativista convicto, tendo participado inclusive de artigos sobre o cooperativismo na Constituição de 1988