Financiamento da casa prórpia tem critérios mais rigorosos
A Tribuna - 09/01/2002
Da Reportagem
O novo sistema de financiamento da casa própria pela Caixa Econômica Federal para a classe média está utilizando critérios mais rigorosos para os interessados, o que pode restringir o acesso às linhas reabertas no dia 2. Entre essas exigências estão o prazo de pagamento, que caiu para 150 meses (12 anos e seis meses) e o contrato regido pela TJLP, que tem juros pós-fixados com base na taxa Selic do Banco Central.
Hoje, as famílias com renda superior a R$ 2.160,00 podem solicitar crédito de até R$ 180 mil (imóvel com valor total de até R$ 300 mil). Segundo os novos critérios, as prestações devem ficar mais elevadas. Antes da interrupção do financiamento para a classe média em agosto, os interessados tinham acesso a linha com um prazo maior, de até 240 meses (20 anos).
Na indexação dos contratos também há novidades. Antes o índice utilizado era a TR, com base na inflação, e agora a Caixa utiliza a taxa de juros de longo prazo (TJLP), que muda a cada trimestre com base nos juros básicos do Governo. Há ainda o limite de financiamento, de 80% do valor total do imóvel, patamar idêntico ao usado no sistema anterior.
Segundo o diretor de Corporação do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi), João Crestana, no sistema antigo a fonte de recursos era a poupança, captada em TR. Agora, explica ele, o dinheiro (cerca de R$ 1 bilhão) vem do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), cujo conselho curador exigiu a TJLP para liberar seus recursos à Caixa.
O gerente de Mercado do Escritório de Negócios da Caixa na Baixada, Maurício Franco, afirma que os contratos do sistema antigo vinham com TR (hoje a anual está em 2,4%) mais 12% de juros. Se a inflação disparasse o mutuário era prejudicado, os contratos refletiam esse efeito.
Agora, como novo indexador, a TJLP é somada a 4% de juros ao ano (para a compra de imóvel na planta), ou a 5,5% (compra com habite-se de até seis meses) e, explica Franco, ela pode até cair se os indicadores da economia continuarem melhorando. Por exemplo, se neste mês o Banco Central reduzir a taxa Selic de 19% para 18,5%, a TJLP poderá ser de 9,75% em 1º. de abril, quando será reajustada. Por outro lado, se for deflagrada uma nova crise econômica, a Selic sobe e a TJLP também.